Se meu desanimo não fosse
tão presente, o presente não fosse caro demais,
o sentimento não me ardesse tanto, não me fizesse
amargar, se eu não tivesse sido tão autista quando
te fotografei naquele campo de futebol imensamente vazio, vago,
naquela cidade
pa-
ca-
ta
e
se não tivesse descoberto que as fotos, por mim tão estimadas, não foram reveladas,
se o rolo de filme não tivesse dez anos,
eu não estaria cá, não estaria a
falar sobre ti, a dizer que te quero,
que te gosto, que
teus cabelos não são assim
tão bagunçados, tão sem corte, tão sem vida,
eles tem vida própria, mas não é má,
a minha vida que é má, que me gira
num gira-gira no parquinho
sem crianças.
E as analógicas não tem lógica,
elas me deixam na expectativa de tê-las, de vê-las, sentir o papel-filme,
me deixam meio sem rumo quando me encontro
numa tarde de domingo nublado, com textos de antropologia acumulados.
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