segunda-feira, 16 de abril de 2012

Acupuntores


Quando eu era menor, me disseram que se uma agulha perfurasse alguma veia do braço, essa moveria conforme a corrente sanguínea, até chegar ao coração. Hoje utilizo das agulhas para furar os lacres de nanquim industrializados, aqueles que vêm em uma bisnaga, ficam envoltos por uma pressão afim de não escorrerem pelo plástico... 

Então vou até o quarto de minha mãe, atrás do segundo armário tem uma caixa de costura cujo conteúdo são agulhas atrofiadas em um coração de enchimento vazio. Hoje percebo que talvez o destino da corrente sanguínea não fosse um coração humano, e sim um coração de enchimentos de tecidos amontoados que repousam as agulhas na conformidade de ausência de sua utilidade. Pego a agulha, mas hoje, por algum motivo ela não perfurou o lacre de plástico, a tinta densa não escorreu inicialmente. Tentei de novo, escorreu. Hoje  manchei o coração de enchimento com nanquim ( já que não havia onde deixar o excesso da tinta). 

Fora um acupuntor que me ensinou a não acreditar nas palavras não ditas.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Brinco de pena

Eu te disse que teu brinco
Não era de uma arara,
Fora pena de uma pomba...
Disse-te que sobrepuseram 
com a tinta que escorria
Daquela cor diluída
Em aquarela clara,
Tão sem vida...
Disse-te tantas coisas
Para dar-te conforto...
Todas vãs, todas assim
De certa forma encaixadas
Em tuas joias de latão,
Tão amplamente preciosas,
Adornadas pelas tuas
Belas preocupações
De expressões
Mal sucedidas
Através
De um
Poema.