quarta-feira, 23 de maio de 2012

Desenho escrito


Tentei te desenhar
Mas o tempo era pouco
Ouvi um grito rouco,
Silencioso
Estrondo de chuva...
Tentei te desenhar,
Fechar os olhos
De tantas maneiras possíveis.
Ah, eu sei que só se
Fecha os olhos
De uma maneira,
E que tu nem sonhas
Que corri o pincel
Sobre teu rosto...
Diga-me que é inútil
A sutileza de misturar
As cores e derramar
Nanquim por cima...
Jeito de dizer-me
Tuas incertezas
Nunca ditas.
Teus olhos eram verdes
Mas no papel, amarelados.
Teu sorriso safado.
No papel tudo muda,
Até teu papel de ator
Previsivelmente seguia
Teu dragão que não existia...
Diga-me qualquer
Coisa sem sentido,
Que os dias passam,
As músicas são muitas
O tempo é pouco para
Arte morta
Arte de me desprender
De ti em qualquer
Pensamento meu,
E a tinta era aguada demais
Para desenhar minhas
Lágrimas,
O papel era insuficiente
E não se apaga aquarela
Apenas se paga a água
Usada para diluir desânimos...
O jeito é rasgar
Vestígios de traços
Destroçados pela
Tentativa ilustrada
Tempo tido, perdido
“dito cujo”
Sempre penso
Em ti.
Aí percebi
Que há coisas que
A arte não expressa,
Que a tentativa falha
Esfarelada
Por cascas de lápis
Apontados
Para escrever 
sem métrica
Desenhos
sem técnica.

Janta


Comi comida fria,
carne dura,
durou uma eternidade.
Subi num banco
no penhasco
que separou meus dias.
dormi sem sono,
sem ritmo na respiração.
Comi arroz e feijão,
dormi de desgosto
degustado.

domingo, 6 de maio de 2012

Cinzas de fauvismos cinzas

Se sentisse meu olho
vermelho
inflamado, e dado
meu dado jogado
aleatoriamente;
se sua mente não
mentisse,
se não matasse Matisse
com meus fauvismos
acinzentados,
se não sentisse
coisa alguma,
então eu não faria
mais rimas medíocres
sobre mim mesma.