domingo, 14 de julho de 2013

Se disse que
pintaria uma tela a óleo,
que desenharia algo detalhado 
que não limitaria minhas ideias 
que revelaria as analógicas
logicamente não reveladas,
vedadas ao esquecimento,
que tenho imagens e as 
expressaria depois, outro dia,
que queria desenhar suas olheiras
da forma mais crua 
que elas são,
que queria os nus 
pra rabiscá-los em papel denso,
que faria os queísmos 
menos presentes na vida,
que tudo que é o que 
não fosse transformado
em poesia não pensada,
é por quê eu 
dei mais tempo aos
pensamentos ilhados,
quiçá fosse isso. 
Quiça, que fosse, o quê 
dos dias que passam
sem fim. 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Moreno,

Eu sei que a cabeça dói quando choramos. 
A testa, o nariz, e a tristeza dói em si 
e nós doemos em nós 
e a dor dói
por si
só. 

Mas, Moreno,
Eu sei que, apesar de doído, 
apesar de doido,
apesar de sermos doidos ao doermos 
e ao nos doermos por sermos doidos,
Você não pode se definir em 
fracassos 
amontoados em 
fracassos
Porque somos fracos e não somos aços 
fundidos. Nós somos apenas 
fundidos 
em pensamentos, em tristezas, em correrias. 

E, Moreno,
Se eu digo que te amo, se eu digo que 
te quero e que te quero de novo, 
mesmo depois de já ter te querido 
de já te ter, querido. 
De já ter-te querido,
É porque eu preciso de você
mesmo que não precise,
mesmo que os dias se fazem de
orgulhosos e intrínsecos na sequidão
deles mesmos, da nossa vida.
É porque em companhia a gente dói menos
A gente sofre menos, mesmo que soframos depois. 

E, moreno, 
Se eu digo que acho o seu cabelo
bonito, mesmo grande, mesmo sem corte,
é porque eu gosto dos seus cachos. 
Se eu digo que gosto da cor dos
seus caracóis, é porque eu gosto
do quase preto, do toque de castanho,
da nossa vida castanha ao sol, 
dos seus olhos castanhos mais claros 
no 
pôr
do
sol. 

Moreno,
Se eu digo que 
não me importo com o dinheiro,
com a faculdade,
com o emprego,
a corrente bancária
a necessidade da
economia da vida que mia querendo gemer. 
É porque podemos morar na praia
se quiser, podemos morar no mato,
podemos nos matar, contanto que juntos, contanto que
no conforto de nós mesmos, no conforto da vida
a dois. 


terça-feira, 2 de julho de 2013

Chicletes, Cerveja e Tristeza

A ruiva, triste 
tomou cerveja
de 
ca-
fé 
da
ma-
nhã

A ruiva dizia "Deus", 
sem
fé. 
Cerveja. Amarga. 
Gastrite. 
Estritamente,
Triste. 
Tristeza estreita. 

Cílios grudados
com abraços
dados
sem soluções
em soluções concentradas
de tristezas líquidas,
de rímel líquido, 
de amargura 
da cerveja. 

Veja, Ruiva,
Suas lágrimas negras
Suas sardas, pretas
Ruiva, não
se amargure 
por tristezas de chicletes 
que mascamos,
mascamos,
até não ter mais gosto,
porque as tristezas
viram massa quando
internas
ao corpo,
internas
à mente. 

Ruiva,
o amargo
tem 
seu
gosto. 
Mas,
perde-
se
quando
se 
é 
guar-
da-
do
por 
mui-
to
tem-
po. 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Nós entrenós

Os entrenós de
Rima fraca. Pouco ritmo. 

Quis,
Pouco a pouco,
Te ter 
melhor.

Suor. 

Tempo lento
Lento vento
Que venta sobre
Nós. 

E, nós,
sensatos soamos,
sem os nós entre nós. 

Entrenós, 
Não faz sentido
Não nos faz bem
Estar entrenós entre nós. 

Eu me enrolo 
Tu se enrolas 
Os caracóis se enrolam
Entrenós,
Entre nós.