Se disse que
pintaria uma tela a óleo,
que desenharia algo detalhado
que não limitaria minhas ideias
que revelaria as analógicas
logicamente não reveladas,
vedadas ao esquecimento,
que tenho imagens e as
expressaria depois, outro dia,
que queria desenhar suas olheiras
da forma mais crua
que elas são,
que queria os nus
pra rabiscá-los em papel denso,
que faria os queísmos
menos presentes na vida,
que tudo que é o que
não fosse transformado
em poesia não pensada,
é por quê eu
dei mais tempo aos
pensamentos ilhados,
quiçá fosse isso.
Quiça, que fosse, o quê
dos dias que passam
sem fim.
"De fato, Funes não apenas recordava cada folha de cada árvore de cada monte, mas também cada uma das vezes que a havia percebido ou imaginado..." -Jorge Luis Borges
domingo, 14 de julho de 2013
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Moreno,
Eu sei que a cabeça dói quando choramos.
A testa, o nariz, e a tristeza dói em si
e nós doemos em nós
e a dor dói
por si
só.
Mas, Moreno,
Eu sei que, apesar de doído,
apesar de doido,
apesar de sermos doidos ao doermos
e ao nos doermos por sermos doidos,
Você não pode se definir em
fracassos
amontoados em
fracassos
amontoados em
fracassos
Porque somos fracos e não somos aços
fundidos. Nós somos apenas
fundidos
fundidos
em pensamentos, em tristezas, em correrias.
E, Moreno,
Se eu digo que te amo, se eu digo que
te quero e que te quero de novo,
mesmo depois de já ter te querido
de já te ter, querido.
De já ter-te querido,
É porque eu preciso de você
mesmo que não precise,
mesmo que os dias se fazem de
orgulhosos e intrínsecos na sequidão
deles mesmos, da nossa vida.
É porque em companhia a gente dói menos
A gente sofre menos, mesmo que soframos depois.
E, moreno,
Se eu digo que acho o seu cabelo
bonito, mesmo grande, mesmo sem corte,
é porque eu gosto dos seus cachos.
Se eu digo que gosto da cor dos
seus caracóis, é porque eu gosto
do quase preto, do toque de castanho,
da nossa vida castanha ao sol,
dos seus olhos castanhos mais claros
no
pôr
do
sol.
Moreno,
Se eu digo que
não me importo com o dinheiro,
com a faculdade,
com o emprego,
a corrente bancária
a necessidade da
economia da vida que mia querendo gemer.
É porque podemos morar na praia
se quiser, podemos morar no mato,
podemos nos matar, contanto que juntos, contanto que
no conforto de nós mesmos, no conforto da vida
a dois.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Chicletes, Cerveja e Tristeza
A ruiva, triste
tomou cerveja
de
ca-
fé
da
ma-
nhã
A ruiva dizia "Deus",
sem
fé.
.
Cerveja. Amarga.
Gastrite.
Estritamente,
Triste.
Tristeza estreita.
Cílios grudados
com abraços
dados
sem soluções
em soluções concentradas
de tristezas líquidas,
de rímel líquido,
de amargura
da cerveja.
Veja, Ruiva,
Suas lágrimas negras
Suas sardas, pretas
Ruiva, não
se amargure
por tristezas de chicletes
que mascamos,
mascamos,
até não ter mais gosto,
porque as tristezas
viram massa quando
internas
ao corpo,
internas
à mente.
Ruiva,
o amargo
tem
seu
gosto.
Mas,
perde-
se
quando
se
é
guar-
da-
do
por
mui-
to
tem-
po.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Nós entrenós
Os entrenós de
Rima fraca. Pouco ritmo.
Quis,
Pouco a pouco,
Te ter
melhor.
Suor.
Tempo lento
Lento vento
Lento vento
Que venta sobre
Nós.
E, nós,
sensatos soamos,
sem os nós entre nós.
sensatos soamos,
sem os nós entre nós.
Entrenós,
Não faz sentido
Não nos faz bem
Estar entrenós entre nós.
Eu me enrolo
Tu se enrolas
Os caracóis se enrolam
Entrenós,
Entre nós.
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