Eu sei que a cabeça dói quando choramos.
A testa, o nariz, e a tristeza dói em si
e nós doemos em nós
e a dor dói
por si
só.
Mas, Moreno,
Eu sei que, apesar de doído,
apesar de doido,
apesar de sermos doidos ao doermos
e ao nos doermos por sermos doidos,
Você não pode se definir em
fracassos
amontoados em
fracassos
amontoados em
fracassos
Porque somos fracos e não somos aços
fundidos. Nós somos apenas
fundidos
fundidos
em pensamentos, em tristezas, em correrias.
E, Moreno,
Se eu digo que te amo, se eu digo que
te quero e que te quero de novo,
mesmo depois de já ter te querido
de já te ter, querido.
De já ter-te querido,
É porque eu preciso de você
mesmo que não precise,
mesmo que os dias se fazem de
orgulhosos e intrínsecos na sequidão
deles mesmos, da nossa vida.
É porque em companhia a gente dói menos
A gente sofre menos, mesmo que soframos depois.
E, moreno,
Se eu digo que acho o seu cabelo
bonito, mesmo grande, mesmo sem corte,
é porque eu gosto dos seus cachos.
Se eu digo que gosto da cor dos
seus caracóis, é porque eu gosto
do quase preto, do toque de castanho,
da nossa vida castanha ao sol,
dos seus olhos castanhos mais claros
no
pôr
do
sol.
Moreno,
Se eu digo que
não me importo com o dinheiro,
com a faculdade,
com o emprego,
a corrente bancária
a necessidade da
economia da vida que mia querendo gemer.
É porque podemos morar na praia
se quiser, podemos morar no mato,
podemos nos matar, contanto que juntos, contanto que
no conforto de nós mesmos, no conforto da vida
a dois.
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