Quando eu era menor, me disseram que se uma agulha
perfurasse alguma veia do braço, essa moveria conforme a corrente sanguínea,
até chegar ao coração. Hoje utilizo das agulhas para furar os lacres de nanquim
industrializados, aqueles que vêm em uma bisnaga, ficam envoltos por uma
pressão afim de não escorrerem pelo plástico...
Então vou até o quarto de minha mãe, atrás do segundo
armário tem uma caixa de costura cujo conteúdo são agulhas atrofiadas em um
coração de enchimento vazio. Hoje percebo que talvez o destino da corrente
sanguínea não fosse um coração humano, e sim um coração de enchimentos de
tecidos amontoados que repousam as agulhas na conformidade de ausência de sua
utilidade. Pego a agulha, mas hoje, por algum motivo ela não perfurou o lacre
de plástico, a tinta densa não escorreu inicialmente. Tentei de novo, escorreu.
Hoje manchei o coração de enchimento com
nanquim ( já que não havia onde deixar o excesso da tinta).
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