segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Junk

Ontem.

O sol laranja batendo no edifício pichado que víamos pela janela. 
Você não o viu por ela. 
me viu deitada, suada nos lençóis azuis
serenos, Sereno, meu caro, Moreno. 
Ontem foi o Ontem que custou
cem reais, que custou 
quatro horas,
que me deu
memórias de 
sentir-te em
mim. 
E o fim de ontem
teve o seu fim de
um tchau na rua,
no ônibus,
um beijo rápido
interrompido,
o Ontem foi assim,
rápido, laranja e preto, sem lua,
eu nua,
foi enrolado,
foi encontrado
nas imagens que tenho
de ti.
Magro. Com olheiras,
sem óculos. 
Só os telescópios...
Mas isso foi na terça, e ontem foi Domingo
e ontem foi um pingo de
saudade, um pingo de ansiedade
de ter-te, de ver-te,
de não querer que o dia termine,
mas terminou,
escureceu.
O quarto alaranjado ficou azulado,
minha vida ficou azulada,
depois ficou pacata, ficou cor-de-nada,
cor de vida sem ti. 

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